Março foi tão intenso que nem consegui escrever em meus
Blogs. Tantas emoções no final do verão e início do outono. 2025, mês 3. Muitos
aniversários na família, primos, mãe, sobrinhos, tia, avó e esta que escreve. Nascimento
de Lara, 50 anos da primeira neta e 100 anos da minha Vozinha. Um marco em
nossas jornadas. Comemorei aqui e embarquei para celebrar o centenário de
vozinha no sertão. Que viagem incrível. Que celebração memorável. O painel da
geração de vozinha e vozinho enfeitando o Alpendre. Filhos, netos, bisnetos e
tataranetos. A missa, os cantos, abraços, homenagens e os parabéns com muito
ânimo.
A chegada é vibrante de alegria. A despedida latejante de
saudade. Na bagagem muita gratidão e leveza. Os dias com minha família em
Pernambuco são regados de afeto. Muita vida em poucos dias. A beleza da
simplicidade tem uma grandeza sem medida. Ouvir a voz e as narrativas da minha
avó, tão lúcida aos 100 anos, a energia das risadas das conversas no alpendre,
o rádio Asa Branca tocando na cozinha e embalando as prosas aromatizadas pela
deliciosa comida do fogão a lenha. A serenidade e sabedoria do Tio Neto, a paz
do silêncio e sorriso do tio Chico, o carinho das tias Toinha, Nega, primas e
primos, e todos que nos visitam. Cuidados de gente que ama.
As rezas, os risos, as brincadeiras, a partilha nas fala e
escuta, a rede, a vastidão da caatinga, os açudes, as veredas, estradas que
interligam roças e casas, as resenhas, as nuvens personagens e desenhos no céu
diurno, o encanto das estrelas no céu noturno, as revoadas dos pássaros, a
linda garça bailando no riacho, o vento dançando na vegetação, a fortaleza dos
cactos, mandacaru e xique-xique, o redemoinho, as muitas pedras no chão, as
flores silvestres amarelas, brancas e lilás, os galos anunciando as manhãs, o
chocalho da criação, o curral, o leite, o lagarto verde, o casal de corujas, a
porteira branca, a cancela verde, os juazeiros, o mulungu, as mangueiras e tantas
árvores no cenário da minha infância.
As refeições abundantes, o baião com feijão verde, o cuscuz
com leite, carne, ovo ou manteiga natural, pense na variedade de preparações
que combinam com esse alimento sagrado. Tem os queijos, o bolo de caco, os
bolos fofo e liso, a tapioca, os chás milagrosos de tia Toinha, as galinhas do
sítio, o feijão de corda, o macarrão temperado, o melhor bode assado ou cozido
do mundo, os caldos, o pirão, a rapadura, os sucos de acerola e maracujá, a
água de coco, a goiabada, o cheiro do coentro nas panelas, a mandioca frita, a
farofa, batata doce, o escaldado, o café coado, as sopas e tantos alimentos que
nutrem o corpo e a alma.
O Sertão faz morada em minha pele, tenho orgulho das minhas
raízes e seguirei honrando minhas origens. Amo também o lugar que moro e sou
grata por esse entrelaçar de personagens, enredos e memórias na estrada de
saudades que SOU e SINTO. A sensação de cumprir uma missão tão relevante
fortaleceu minha fé e esperança para seguir escrevendo a minha história. Gratidão
março de 2025. Minha bênção Vozinha.